Escravos do Mundo Livre

Esteta ou Asceta? Nada disso, no fundo: Divagações de um pateta...

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

O homem que foi quinta-feira

Exercício 1

1- O homem que foi quinta-feira do escritor inglês Chesterton trata-se de uma obra de ficção, precisamente um romance.
2- Basicamente, o enredo versa sobre um conflito entre anarquistas e detetives da Scotland Yard. O poeta/policial Syme infiltra-se no Conselho Central Anarquista por acaso, e, a partir daí, na tentativa de impedir um atentado terrorista, descobre que os outros membros do conselho também são detetives infiltrados. Restando só o presidente, que é realmente o grande terrorista e ao mesmo tempo o chefão secreto da polícia que os admitiu como detetives. Esses vão perseguir o presidente para que uma explicação seja dada aos falsos policiais.
3- Primeira parte: Syme, um poeta que odiava o anarquismo por acaso se tornara um detetive do combate ao anarquismo. Um policial ao notar que ele levava jeito para tal função, leva-o para falar com o chefe da divisão anti-terrorismo de detetives filósofos da Scotland Yard. Esse, um homem misterioso, que só ficava no escuro para ter idéias claras, lhe deu o cargo de imediato.
Algum tempo depois, numa discussão o poeta de olhos azuis Syme, amante da ordem, afirma que o poeta de cabelos vermelhos Gregory, amante do caos, não leva a sério o anarquismo. Gregory sente-se ofendido e decide leva-lo a uma reunião da seção londrina do CCA para provar o quanto leva a sério seu anarquismo, mas antes, exige de Syme o juramento de que não contará nada à polícia. Entretanto, ao saber que Gregory é realmente um anarquista, pede que esse faça um juramento e lhe confia seu segredo: revela que também não é um mero poeta e sim um detetive da Scotland Yard. Numa das muitas situações incríveis que se repetirão durante a narrativa, o detetive que presencia a reunião secreta é eleito o Quinta-feira no lugar de Gregory que fica enfurecido, mas não pode revelar nada. Agora, também por acaso se torna um anarquista e vai direto para a reunião do CCA. É um Quinta-feira e se reúne com os outros seis membros, entre eles o grande e assustador presidente Domingo.
Segunda parte: A partir daí, na tentativa de impedir um atentado a bomba, descobre sucessivamente que cada membro do Conselho é um policial disfarçado que teve um encontro com o homem do escuro. O primeiro desmascarado foi o Terça-feira, que já na reunião foi descoberto pelo presidente Domingo. Ali Syme ficou assustadíssimo com a situação e pensou que ele seria o citado traidor. Mas não, e saindo dali, foi seguido implacavelmente pelo Professor de Worms, o Sexta-feira. Esse, ao final da caçada revelou, para espanto de Syme, que era também um policial infiltrado. Aliaram-se e descobriram na seqüência que os outros dias da semana também não eram anarquistas e sim detetives.
Terceira parte: Todos os detetives reunidos caçam o grande Domingo para saberem porquê foram enganados por ele desde o princípio. Um desfecho inesperado ocorre, onde o presidente os recebe numa festa à fantasia e revela que são uma irmandade que combate o mal através dos tempos.


Como primeiro exercício, eu paro por aqui dizendo que a obra tem vários momentos de clímax e por isso, depois dos primeiros, os últimos vão se tornando previsíveis. No entanto, é impressionante a forma como Chesterton domina a narrativa e prende a atenção do leitor com um suspense afiado, pelo menos até a metade do livro. Seu poder descritivo altamente poético é elemento marcante nessa obra, onde as frases de efeito e os diálogos mordazes são certamente daí copiados para os filmes de espiões e de ação “inteligentes”. Leitura prazerosa e envolvente, com reviravoltas surpreendentes, situações inusitadas e fantásticas. Inglaterra e França são o cenário onde desfilam detetives-filósofos e anarquistas poetas.
Pra lembrar-me: “Não fazer a crítica de uma obra de ficção enquanto não souber exatamente o que o autor quer nos fazer experimentar”. (Adler em Como ler um livro)

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